
Keyla Nogueira
Setembro marca a Independência do Brasil de Portugal e, para nós, brasileiros que vivemos no exterior, também é um momento de celebrar nossa cultura, nossos costumes e nossas tradições. O Brazilian Day, realizado em diversas cidades dos Estados Unidos, é uma dessas oportunidades de compartilhar um pouco do que torna o Brasil tão especial.
Depois de mais de 20 anos vivendo fora do Brasil, aprendi que nossa cultura também é admirada e celebrada por muitos que não nasceram lá. É bonito ver alguém se apaixonar pelo nosso país por meio da comida, da música, da dança, do idioma ou simplesmente pela curiosidade.
Aqui em Pittsburgh, conheci muitos desses “Brazil Lovers”: pessoas que encontraram seu caminho até a nossa comunidade e, de alguma forma, passaram a se conectar com a cultura brasileira.

A artista local Kelsey Jumper é uma delas. Talvez você já a tenha visto tocando percussão com o Timbeleza, dançando samba ou cantando música brasileira pelos palcos da cidade.
Sua jornada começou com o álbum Clube da Esquina, de 1972, de Milton Nascimento e Lô Borges, apresentado a ela por uma amiga de infância enquanto Kelsey morava em Buenos Aires e se preparava para sua primeira viagem ao nosso Brasil.
“Fui transportada pelas harmonias e pelos grooves, sem entender absolutamente nada do que estava sendo dito”, relembra. Mas foi ao chegar a São Paulo que aquela curiosidade musical se transformou em algo muito mais pessoal.
“A minha primeira sensação foi de pertencimento”, conta Kelsey. “Ver todas aquelas pessoas mestiças que se pareciam comigo e com meus irmãos despertou em mim uma sensação de segurança e uma identificação muito bonita, algo que nunca havia experimentado crescendo em Pittsburgh ou mesmo passando metade da minha vida em Nova York. É uma sensação que eu nem sabia que desejava
até senti-la.”
Ela também se apaixonou pelo carinho presente no cotidiano brasileiro — desde amigos dançando pela cozinha enquanto preparavam o café da manhã até um taxista que saiu do carro para lhe dar um abraço de despedida.
E esse sentimento de conexão continuou através da música.
“Os brasileiros sempre cantam e dançam junto com a gente. Todo show é uma experiência imersiva!”, diz ela. “Todo show é uma conversa entre o palco e o público.”
De volta a Pittsburgh, Kelsey encontrou uma comunidade através do Pittsburgh Samba Group, do Timbeleza e de suas colaborações com o guitarrista Colter Harper, o que lhe
permitiu continuar estudando e celebrando uma cultura que lhe trouxe tanta alegria.
Para nós, que carregamos o Brasil conosco porque é de lá que viemos, existe algo muito bonito em enxergar nossa cultura através dos olhos de alguém que escolheu abraçá-la. Isso nos lembra que a cultura não para nas fronteiras. A música viaja. A comida viaja. O afeto viaja.
Então pedi a Kelsey que completasse a frase:
“Para mim, o Brasil é”
“Solidariedade, transformada através de ritmos incríveis e melodias em uníssono, e a experiência coletiva de aplaudir o pôr do sol.” Talvez essa seja justamente a beleza de ser um Brazil Lover: você não precisa ter nascido no Brasil para reconhecer algo que faz você se sentir em casa.
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Kelsey Jumper Robinson é cantora, atriz e dançarina, nascida em Nova York e criada em Pittsburgh. Kelsey retornou a Pittsburgh em 2017, depois de passar quase dois anos na América do Sul e dez anos no Brooklyn.
Ao longo de sua trajetória, teve a honra de trabalhar ao lado de alguns dos artistas, pensadores e talentos mais criativos de Pittsburgh, transitando pelas comunidades da música, do teatro e da dança. Você pode encontrá-la se apresentando com grupos de música internacional e conjuntos de jazz fusion, cantando em Honky Tonks, explorando textos contemporâneos e clássicos, dançando sapateado e até fazendo percussão com as próprias mãos.
Este artigo foi publicado na edição de setembro/outubro da Pittsburgh Latino Magazine. Clique aqui para ver e compartilhar! Envie seus comentários para hola@pitlatinomag.com.
Septiembre marca la Independencia de Brasil de Portugal y, para nosotros, los brasileños que vivimos en el extranjero, también es un momento para celebrar nuestra cultura, nuestras costumbres y nuestras tradiciones. El Brazilian Day, que se celebra en varias ciudades de los Estados Unidos, es una de esas oportunidades para compartir un poco de lo que hace que Brasil sea tan especial.
“Mi primera sensación fue de pertenencia”, cuenta Kelsey. “Ver a todas esas personas mestizas que se parecían a mí y a mis hermanos despertó en mí una sensación de seguridad y una identificación muy hermosa, algo que nunca había experimentado creciendo en Pittsburgh o incluso pasando la mitad de mi vida en Nueva York. Es una sensación que ni siquiera sabía que deseaba hasta que la sentí”.
“Los brasileños siempre cantan y bailan con nosotros. ¡Cada concierto es una experiencia inmersiva!”, dice ella. “Cada concierto es una conversación entre el escenario y el público”.
Así que le pedí a Kelsey que completara la frase: “Para mí, Brasil es…”
“Solidaridad, transformada a través de ritmos increíbles y melodías al unísono, y la experiencia colectiva de aplaudir al atardecer”.
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