Entrevista com Lilly Abreu

Edição de setembro-outubro

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«A Trilha Sonora da Saudade” No coração de um imigrante a saudade soa alto. Como se fosse uma lei, mas que não obedece tempo ou espaço. Às vezes a saudade se faz dormente, quase despercebida, outrora é acordada por uma memória, por uma palavra, ou até por um cheiro, como o inconfundível aroma de café coado na hora.

E outras vezes se faz presente através do som. Uma música, uma única nota, o rasgar de um violão, a cadência suave de uma voz podem funcionar como uma chave mestra. Elas destrancam de imediato um cofre de memórias que a gente nem sabia que guardava com tanto cuidado. É uma viagem no tempo sem necessidade de passaporte ou fuso horário. E falando em traduzir esse sentimento em notas musicais, ninguém melhor do que Lilly Abreu, uma artista de voz cristalina que já emprestou seus talentos até para a Disney e há mais de 20 anos, ela encanta Pittsburgh cantando Bossa Nova e lecionando na Carnegie Mellon University. Com sua voz que é um verdadeiro patrimônio cultural de Pittsburgh, ela tece, show após show, a trilha sonora afetiva da comunidade brasileira na Steel City.

 


 

(Keyla) Lilly, sua voz é um pedaço do Brasil aqui em Pittsburgh. Conte para nós um pouco da sua trajetória: como a música entrou na sua vida e qual foi a jornada para se tornar cantora?

(Lilly) Descobri minha paixão pela música na adolescência, ao participar do coro da Primeira Igreja Batista de Goiânia, onde fui mentorada por uma diretora musical que a ensinou técnica vocal e regência. Meu pai, médico e amante da música clássica e gospel, incentivou meus estudos no Conservatório de Música, onde me formei em Canto. Iniciei a minha carreira como cantora e professora no Brasil, realizando concertos pioneiros e colaborando com artistas renomados. Em 1993, me mudei para Pittsburgh, onde concluí o meu mestrado na Carnegie Mellon University e consolidei a minha carreira como cantora de ópera, educadora e fundadora de projetos sociais. Além da música, atuo como linguista e diretora de interpretação na Global Wordsmiths, capacitando profissionais bilíngues.

(Keyla) O que a Bossa Nova representa para você?

(Lilly) Para mim, a Bossa Nova é muito mais que um gênero musical — é a trilha sonora da minha saudade. Ela me conecta às memórias afetivas do Rio de Janeiro, onde morei, e chegou a Pittsburgh de forma inesperada: através do convite de um pianista de jazz que me perguntou se eu cantava ‘Garota de Ipanema’. Desse encontro, nasceu não apenas uma parceria musical, mas também a formação da minha própria banda, dedicada a celebrar e perpetuar essas histórias de amor, mar e identidade brasileira longe de casa.

(Keyla) Lilly, complete a frase: ‘Ser brasileiro em Pittsburgh é …

(Lilly) É representar um país riquíssimo em sua língua e cultura, seja dando aulas de português, divulgando nossa música, clássica e popular, ou recebendo a família e os amigos em casa para uma degustação bem brasileira.

(Keyla) Qual sabor representa o Brasil?

(Lilly) Eu teria que dizer sabores por ser um país de muitas influências. Eis algumas frutas que me levam ao Brasil: seriguela, sapoti, manga, graviola, pequi, cajá-manga, goiaba, jabuticaba…

(Keyla) Complete a frase: Saudade é …

(Lilly) Sentir falta de alguma coisa ou alguém que você ama.

Keyla Nogueira

Cantinho Brasileiro
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